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Albergue da Liberdade em exposição no Panteão Nacional até 1 de Fevereiro

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"Albergue da Liberdade" é uma estrutura arquitectónica idealizada pelo arquitecto modernista português Pancho Guedes e expõe actualmente parte do espólio artístico da Perve Galeria dedicado ao Surrealismo em Portugal e centrado na figura de Mário Cesariny de Vasconcelos.

A mutação do nome desta estrutura arquitectónica de "Lisboscópio" para “Albergue da Liberdade”, constitui uma homenagem ao Surrealismo Português numa altura em que a maioria dos seus protagonistas já desapareceram sem que contudo ainda não lhes tenha sido feita inteira justiça. 

Do ponto de vista orgânico, a obra incorpora obras de autores surrealistas, servindo-lhes de albergue,  de refúgio, incorporando os seus rostos, as suas palavras poéticas e contestatárias e os sons dos seus espaços vivenciais reproduzidos em três documentários inéditos. Há nela uma múltipla dimensão exterior (de cidade/atelier/quarto/castelo surrealista) e uma unívoca dimensão interior (o caminho identitário comum em torno das 2 exposições colectivas de 1949 e 1950).

Essa mesma imagem dúplice está patente no revestimento, ocultação da estrutura que, vista do exterior, se assemelha a um abrigo gigante, pela sensação imagética de um espaço familiar, misto casa-atelier surrealista, com os seus elementos icónicos aludindo à presença de Mário Cesariny, fundador do grupo, e alguns dos seus mais diletos companheiros: Cruzeirso Seixas, Fernando José Francisco, José Escada, Rik Lina, Natália Correia, Jorg Remé e Mário Henrique Leiria.

 

 

Na sequência de um convite para apresentação da obra “Lisboscópio” na Trienal Internacional de Arte Contemporânea de Praga – ITCA 2008, o seu autor, o Arquitecto e Artista Pancho Guedes, decidiu em conjunto com o curador português nomeado pela ITCA 2008, Carlos Cabral Nunes, proceder a uma recontextualização da obra que havia sido apresentada anteriormente, com esse título, em Veneza e Lisboa. Assim, optou-se, do ponto de vista estrutural, por apresentar a obra na sua forma essencial, primordial. Algo que acontece pela primeira vez neste 2º Encontro de Arte Global, uma vez que a ida da obra a Praga ficou comprometida por precalços vários ao nível institucional. Assim, a sua dimensão formal, reduzida à essência, aproxima-se agora de uma dupla meia nave, em que os seus pontos de intersecção se correlacionam de forma simultaneamente refleccionada e ampla, permitindo acolher, no seu interior uma mostra significativa do espólio artístico de Mário Cesariny na posse da Perve Galeria e que, futuramente, integrará a “Casa da Liberdade - Mário Cesariny”: um espaço com características museológicas, situado em Alfama, actualmente em construção.

A nível de conceito narrativo, também se depurou a obra no sentido de a dotar de motivação essencial. Procurou-se ir ao cerne das manifestações artísticas, sociais e culturais e ideológicas de Lisboa, e chegou-se ao anti-grupo “Os Surrealistas” que marcam Lisboa, Portugal e as artes, o pensamento, a sociedade e a cultura do Séc. XX Português de forma expressiva e fundamental.