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Natália Correia, uma Mulher Atlante / Natália Correia, an Atlantean Woman | 08/09 > 28/10/2023 | Maison du Portugal - André de Gouveia - Cité Internationale Universitaire de Paris

natália

PT| A 8 de setembro, inaugura na Maison du Portugal - André de Gouveia / Calouste Gulbenkian na Cité Internationale Universitaire de Paris, França, a exposição "Natália Correia, uma Mulher Atlante". A Casa da Liberdade - Mário Cesariny e a Perve Galeria são parceiras desta iniciativa, que visa homenagear a poetisa e política portuguesa Natália Correia (1923-1993), uma das mais proeminentes feministas durante a ditadura em Portugal (1932-1974), no ano do seu centenário. A mostra estará patente até 28 de outubro

ENG| On September 8th, by 6pm, it will open on the Maison du Portugal - André de Gouveia / Calouste Gulbenkian in the Cité Internationale Universitaire de Paris, France, the exhibition "Natália Correia, an Atlantean Woman". Freedom's House - Mário Cesariny and Perve Galeria are partners in this initiative, which aims to honour the Portuguese poet and politician Natália Correia (1923-1993), one of the most prominent feminists during Portugal's dictatorship (1932-1974), in the year of her centenary. The exhibition will be open until October 28th.

 

 

PT|

 

"Natália Correia, uma Mulher Atlante" celebra a vida e o legado da escritora, poetisa e política portuguesa Natália Correia (1923-1993), uma das mais proeminentes feministas durante a ditadura em Portugal (1932-1974), no ano do seu centenário. Através do seu trabalho e ativismo, Natália Correia procurou empoderar as mulheres, desafiando as normas patriarcais e os papéis tradicionais de género, escrevendo e falando abertamente sobre os direitos das mulheres e a necessidade de se libertarem das expectativas sociais que as limitavam a donas de casa e mães. A sua poesia e literatura, desafiando o status quo, constituíram uma plataforma para explorar as experiências e perspetivas das mulheres.

 

Em 1966, foi condenada a três anos de prisão, com pena suspensa, por ter publicado a "Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica", considerada ofensiva para os costumes. Em 1971, com a poetisa e escultora surrealista Isabel Meyrelles, fundou o importante espaço cultural "Botequim", onde se reuniu grande parte da intelectualidade portuguesa nas décadas de 1970 e 1980.

Após a Revolução dos Cravos, que pôs fim a 42 anos de ditadura e a uma guerra que durou 12 anos nas então colónias portuguesas, Natália Correia foi deputada da Assembleia da República, de 1980 a 1991. Aí pôde levar a poesia e as artes para o centro da discussão política, continuando o seu ativismo feminista, sendo defensora do controlo das mulheres sobre o seu próprio corpo e pronunciando-se contra as leis restritivas do aborto, mesmo numa época em que discutir estes temas era considerado tabu.

 

Como refere o comissário da exposição no texto de introdução ao catálogo/livro da exposição, as memórias de infância e adolescência marcaram Natália Correia, que viveu nos Açores até aos 16 anos, com a circunstância de um pai ausente desde muito cedo. Ter a presença da mãe ao seu lado foi fundamental na formação da sua consciência feminina. A vivência do "espanto" constante na proximidade da imensidão do mar foram, sem dúvida, fatores determinantes na formação da sua personalidade. Natália observava calmamente as eternas sucessões de marés, as variações imprevisíveis de "estado de espírito", cenas de "marés de primavera" enfurecidas, um reino onde tudo pode desabar e afundar, ou, em contraste, o "mar calmo" que se espalha suavemente ao longo da costa. São visões de encantamento e reverência tão bem celebradas por ela e por muitos outros criadores, poetas e pintores.

 

Partindo destas premissas, integram-se nesta exposição diversos temas, obras e autores que dialogam com a obra literária de Natália Correia, enriquecendo significativamente o contexto histórico e estético da autora, do seu universo criativo e dos percursos artísticos que inspirou.

 

A Casa da Liberdade - Mário Cesariny e a Perve Galeria, organizações culturais e artísticas sediadas em Lisboa, Portugal, cederam importantes obras históricas da sua coleção, como as de Mário Cesariny (no ano em que o poeta e pintor surrealista celebraria também 100 anos), Borderlovers, Fernando Lemos, Isabel Meyrelles e José Escada, entre muitos outros importantes artistas portugueses, para serem apresentadas na exposição, e tiveram também um papel ativo na produção e comunicação da exposição.

 

A inauguração contará com a presença de Ana Paixão e Paula Lisboa, na qualidade de organizadoras da iniciativa, Carlos Cabral Nunes, diretor da Casa da Liberdade - Mário Cesariny e Perve Galeria, entidades parceiras, e do curador da exposição Rui A. Pereira, que é, simultaneamente, autor do livro "Natália Correia - Confissão Poética em torno de Mulher Atlante".

 

Para além da exposição, e no contexto do centenário do nascimento de Natália Correia, a Casa de Portugal organizará ainda uma série de eventos no âmbito desta celebração. Entre eles, a antestreia internacional de "O aplaudido dramaturgo curado pelas pílulas pink", um conto de Natália Correia adaptado ao cinema pela Marginal Filmes, com realização de Jo Monteiro, e um colóquio internacional em parceria com as Universidades de Paris Sorbonne, Paris Nanterre, Paris 8, Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Göttingen, nomeadamente com a Cátedra Almada Negreiros.

 

"Natália Correia, uma Mulher Atlante" estará patente ao público até 28 de outubro de 2023.

 

 

ENG|

 

"Natália Correia, an Atlantean Woman" celebrates the life and legacy of the Portuguese author, poet and politician Natália Correia (1923-1993), one of the most prominent feminists during the dictatorship in Portugal (1932-1974), in the year of her centenary. Through her work and activism, Natália Correia sought to empower women and challenge the patriarchal norms and traditional gender roles, writing and speaking openly about women's rights and the need to break free from societal expectations that limited them to home-makers and mothers. Her poetry and literature, challenging the status quo, provided a platform for exploring women's experiences and perspectives.

 

In 1966, Natália Correia was sentenced to three years in prison, with a suspended sentence, for publishing the “Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica” (Anthology of Erotic and Satirical Portuguese Poetry), considered offensive to customs. In 1971, with the surrealist poet and sculptor Isabel Meyrelles, she founded the important cultural space “Botequim”, where a large part of the Portuguese intelligentsia gathered in the 1970s and 1980s. 

 

After the Carnation Revolution that put an end to 42 years of dictatorship and to a war that lasted for 12 years in the then Portuguese colonies, Natália Correia was a member of the Portuguese Parliament, from 1980 to 1991. There she was able to take poetry and the arts to the center of political discussion, continuing her feminist activism, being an advocate for women's control over their own bodies and speaking against restrictive abortion laws, even at a time when discussing such topics was considered taboo. 

 

As the commissioner of the exhibition refers in the introduction text to the catalogue / book of the exhibition, childhood and adolescence memories marked Natália Correia, who lived in the Azores islands until the age of 16, with the circumstance of an absent father from a very early age. Having her mother's presence beside her was fundamental in shaping her feminine consciousness. Experiencing the constant "awe" in proximity to the vastness of the sea were undoubtedly determining factors shaping her personality. Natália would calmly observe the eternal successions of tides, the unpredictable variations in "mood", scenes of enraged "spring tides", a realm where everything can collapse and sink, or, in contrast, the "calm sea" gently spreading along the coast. These are visions of enchantment and reverence so well celebrated by her and many other creators, poets and painters.

 

Based on these premises, various themes, artworks, and authors are integrated into this exhibition, engaging in dialogue with Natália Correia's literary work, significantly enriching the historical and aesthetic context of the author, her creative universe, and the artistic paths she inspired.

 

Freedom’s House - Mário Cesariny and Perve Galeria, cultural and artistic organizations based in Lisbon, Portugal, have lent important historical artworks from their collection, such as those made by Mário Cesariny (in the year that the surrealist poet and painter would also celebrate 100 years), Borderlovers, Fernando Lemos, Isabel Meyrelles and José Escada, among many other important Portuguese artists, to be shown at the exhibition, and played an active role in the production and communication of the exhibition.

 

The opening will be hosted by Ana Paixão and Paula Lisboa, as organizers of the initiative, Carlos Cabral Nunes from Freedom’s House - Mário Cesariny and Perve Galeria, partner organizations, and the exhibition curator Rui A. Pereira, simultaneously the author of the book “Natália Correia - Poetic Confession around the Atlantean Woman”.

 

In addition to this exhibition, and in the context of the centenary of Natália Correia's birth, the House of Portugal will also organize a series of events as part of this celebration. These include the International Preview of “O aplaudido dramaturgo curado pelas pílulas pink” ("The Acclaimed Playwright Cured by Pink Pills") will take place, a story by Natália Correia adapted for the screen by Marginal de Filmes, directed by Jo Monteiro, and the international symposium in partnership with the Universities of Paris Sorbonne, Paris Nanterre, Paris 8, Nova University of Lisbon, and Göttingen University, particularly with the Almada Negreiros Chair.

“Natália Correia, uma mulher atlante” will be open to the public until October 28, 2023.